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Cisto de Ovário

Cistos de Ovário

 

Os ovários são dois órgãos do tamanho de uma amêndoa, que ficam nos dois lados do útero. Eles produzem os óvulos e os hormônios femininos (estrógeno, progesterona e outros).  Os cistos ovarianos são sacos preenchidos pôr material fluido ou semi-sólido que se desenvolvem nos ovários das mulheres.

 

Cerca de dois anos após a primeira menstruação, até a proximidade com a menopausa, a atividade ovariana passa a obedecer um complexo ciclo, cujo principal objetivo será a ocorrência da ovulação.

 

A ovulação é um evento que acontece no meio do período entre as menstruações e é a responsável direta pela fertilidade feminina. Antes e depois dela, o ovário passa por profundas transformações que vão interferir diretamente na produção dos hormônios femininos.

 

Na fase pré-ovulatória, alguns folículos (estruturas que contêm os óvulos em seu interior) começam a crescer, adquirindo o aspecto de pequenas bolhas de água (cisto folicular). Entre esses folículos, um irá se destacar e crescerá mais que os outros. Ele receberá o nome de folículo dominante e poderá atingir até 25,0mm de diâmetro.

 

A rotura deste folículo, com a respectiva liberação do óvulo que existir em seu interior, receberá o nome de ovulação.

 

Se imaginarmos que este processo se repetirá cerca de 400 vezes ao longo da vida de uma mulher, e se lembrarmos que os intrincados mecanismos hormonais que o regulam são extremamente sensíveis e dependem de outras glândulas (hipófise, tireóide etc), entenderemos que a natureza está sujeita a falhas e que acidentes de percurso poderão ocorrer, culminando com a formação dos cistos ovarianos.

 

Tipos básicos de cistos ovarianos:

 

Cisto folicular e de corpo lúteo: O cisto folicular é o cisto que se forma quando o folículo que libera o óvulo aumenta e se enche de fluido. O cisto de corpo lúteo é uma massa de tecido amarelado que se forma a partir do folículo, após a ovulação. Estes dois tipos de cistos aparecem e desaparecem a cada mês e fazem parte do funcionamento normal dos ovários (portanto não necessitam de tratamento e comumente aparecem nos exames de ultrassonografias).

 

Cisto simples: O cisto simples é o cisto folicular que não se rompeue não teve a consequente liberação do óvulo. É o tipo de cisto mais comum. Sua formação está relacionada a variações do funcionamento normal do ovário. Eles se formam, pôr exemplo, quando um óvulo, durante a ovulação, não consegue se desprender do ovário de uma forma correta. Podem perdurar por 4 a 6 semanas e depois regredirem espontaneamente. Raramente secretam hormônios.

 

Cistos anormais, ou cistos neoplásicos: Estes cistos são decorrentes do crescimento de células e são benignos na maioria das vezes. Em casos raros, podem ser cancerosos. Os cistos anormais requerem tratamento médico. Dentre os principais cistos anormais podemos citar:

 

-  Cistadenomas (seroso e mucinoso): é um tipo de tumor benigno que se desenvolve a partir de células que recobrem o ovário. Pode ser preenchido por conteúdo seroso ou mucoso e atingir vários centímetros de diâmetro.

- Cisto dermóide: são cistos preenchidos por vários tipos de tecidos do organismo, como células de gordura, cabelos, dentes, pedaços de osso e cartilagem. Podem ocorrer em qualquer idade e, eventualmente, tornar-se maligno.

                    

 

- Endometrioma: são também conhecidos como "cistos de chocolate". Aparecem quando o endométrio (camada interna do útero) adere ao ovário.

- Cistadenocarcinomas (seroso e mucinoso): são tumores malignos que também se desenvolvem a partir das células que recobrem os ovários. Muitas vezes apresentam áreas sólidas em seu interior.

Fatores de risco e principais sintomas

 

As mulheres com maior chance de terem cisto de ovário são aquelas com idade entre 20 e 35 anos, obesas e portadoras de problemas na tireóide. Geralmente os cistos ovarianos não produzem sintomas e são encontrados durante exames físicos de rotina feitos pelo médico. Outras vezes são vistos por acaso em ultrassonografias realizadas por outros motivos. Os principais sintomas incluem:

 

- Menstruação atrasada, irregular ou dolorosa

- Sensação de peso ou desconforto no baixo ventre

- Sensação de preenchimento ou inchaço do abdome

- Dor fina constante em um ou em ambos os lados da pelve

- Dor durante ou após a relação sexual

- Dor ou pressão ao urinar ou ao evacuar

- Infertilidade 

 

Detecção e tratamento

 

O meio mais comum para diagnosticar o cisto de ovário é através do exame ginecológico anual. O médico pode perceber, ao toque vaginal, um aumento de um ou ambos os ovários e solicitar exames complementares para uma melhor avaliação.

 

Dentre os exames, a ultrassonografia transvaginal, é um dos principais meios para avaliar as características dos cistos de ovário. Permite avaliar o seu tamanho, contorno, superfície, espessura da parede e se existem áreas sólidas no seu interior, o que ajuda a determinar o tipo de cisto. Entretanto, não define com certeza se o cisto é benigno ou maligno.

 

Outro exame, a laparoscopia, que permite visualizar diretamente o cisto através de pequenas incisões no abdome e, se necessário, realizar a sua retirada. A vantagem dela sobre a cirurgia convencional é o menor tempo de recuperação e internação, além de deixar uma pequena cicatriz.

 

Apesar de todos estes exames ajudarem na avaliação dos cistos ovarianos, o diagnóstico definitivo só pode ser feito através do exame histopatológico (através do microscópio, pelo médico patologista), após sua retirada.


Na maioria das vezes, quando se tem quase certeza que o cisto é funcional, isto é, pequeno e sem áreas sólidas no seu interior, a mulher pode ficar em observação durante três a seis meses. Em alguns casos, é indicado o uso de anticoncepcional oral que, por impedir a ovulação, não permite que novos cistos funcionais sejam formados.

 

Quando o cisto persistir, aumentar ou provocar dores fortes, o tratamento cirúrgico poderá ser utilizado.

 

Existem algumas situações em que, independente das características do cisto, é necessária uma conduta mais agressiva, com a retirada do cisto. Nestes casos, a possibilidade destes cistos serem funcionais é mínima:


  · cisto com áreas sólidas no seu interior (ex.: vegetações);

  · crescimento anormal do cisto;

  · cisto ovariano em crianças e adolescentes que não menstruaram ainda;

  · cisto ovariano em mulheres na pós-menopausa

 

  

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